Nélida Piñon e Marina Colasanti prestam homenagem a Clarice Lispector no Fliaraxá
Print da mesa “Patrona Clarice Lispector” – Nélida Piñon + Marina Colasanti. Moderação: Simone Paulino

Nélida Piñon e Marina Colasanti prestam homenagem a Clarice Lispector no Fliaraxá

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Já parou para pensar como era lidar com uma das maiores escritoras do século XX no dia a dia, na intimidade? Clarice Lispector tinha personalidade única e encantava profissionalmente e pessoalmente. Quem contou essa história foram as escritoras Nélida Piñon e Marina Colasanti em mesa exclusiva para falar da patrona, que completa o centenário em 2020. 

Nélida conheceu a obra antes de conhecer Clarice. Ouviu falar da autora pela primeira vez por meio de Raquel de Queiroz. Na ocasião, Piñon apresentava originais do primeiro romance quando Queiroz disse que o estilo da narrativa lembrava o de Clarice Lispector. “Posteriormente, eu li muita coisa dela, meu primeiro movimento em direção a ela foi enviar ovinhos de páscoa com um cartão que dizia ‘Foi então que aconteceu. De pura afobação, a galinha pôs um ovo’. Não assinei e deixei na casa dela. Pensei que eu seria amiga dela e não fã”, contou Nélida. Entretanto, apenas dois anos depois, ela se aproximou novamente de Clarice quando uma amiga da faculdade a convidou para jantar e, sem que esperasse, o evento era na casa de Lispector. Nessa noite, em 1961, começou a amizade. 

No caso de Marina Colasanti, que também já era admiradora da escritora e da obra, o encontro aconteceu, na redação do Jornal do Brasil, quando Clarice foi contratada para escrever crônicas. “Eu fiquei encarregada dela, me escalaram para fazer as comunicações e revisar os textos, que não havia nada a revisar porque eu nunca mexeria em uma vírgula dela”, relatou Colasanti.

Clarisse amiga

“Eu sabia que ela era uma grande escritora, mas borrei esse conceito para que pudéssemos ser amigas em iguais condições”, destacou Nélida Piñon, que estava em início de carreira enquanto Lispector já era consagrada. Nos encontros, Clarice pedia os originais da amiga, coisa que, segundo ela, a escritora não costumava fazer. Além disso, iam ao cinema e a outros eventos. “Então, estabeleceu-se entre nós um diálogo doméstico, singelo, de coração para coração. Não necessariamente falávamos sobre literatura”, destaca Piñon. Às vezes, a poeta Marly de Oliveira também se juntava à dupla para as saídas. 

Por outro lado, os laços entre Clarice e Marina Colasanti estreitaram-se quando Colassanti casou-se com Affonso Romano de Sant’Anna. Ele escreveu ensaios sobre ela, de quem era próximo também.

A escrita de Clarice

Quem conviveu tão próximo da autora de “A hora da estrela” teve a possibilidade de perceber hábitos, costumes e manias. Exemplo disso era a forma de escrita. “Ela não escrevia em sequência direta. Usava pedacinhos de papel e guardava dentro de uma caixa, depois atava um pedaço a outro para fazer um texto corrido. Em seguida, tinha de ler com muita atenção porque ela sempre repetia algum trecho mais adiante”, revelou Nélida Piñon.

Para além disso, tanto Nélida Piñon quanto Marina Colasanti contaram muitas outras histórias e curiosidades que viveram com ou sem Clarice Lispector. Por exemplo quando Piñon arrematou um quadro que ficava na casa de Clarice Lispector num leilão por uma fortuna, pois não queria que ele fosse para a casa de um estranho. 

Acompanhe o Fliaraxá:

 

SOBRE O FLIARAXÁ

O Fliaraxá foi criado em 2012 pelo empreendedor cultural e diretor-presidente da Associação Cultural Sempre um Papo, Afonso Borges. As cinco primeiras edições aconteceram no pátio da Fundação Calmon Barreto e, a partir de 2017, o festival passou a ocupar o Tauá Grande Hotel de Araxá, patrimônio histórico do Estado de Minas Gerais, edificação construída em 1942. Naquela edição, nasceu também o “Fliaraxá Gastronomia”. Cerca de 140 mil pessoas passaram pelo festival. Mais de 400 autores participaram da programação.

IX FLIARAXÁ – FESTIVAL LITERÁRIO DE ARAXÁ – 28 DE OUTUBRO A 1.º DE NOVEMBRO DE 2020

Transmissão virtual 24 horas pelos canais:

 www.youtube.com/fliaraxa 

www.fliaraxa.com.br

Texto por Jaiane Souza/Culturadoria