
O Festival parte agora para escrever o próximo capítulo de sua história: a 15ª edição, em junho de 2027, entre 10 e 13, no Teatro CBMM do Centro Cultural Uniaraxá.
Em 14 edições, o Fliaraxá saiu de um encontro de três dias, com 25 autores e 6 mil pessoas, para se tornar um festival com presença internacional, forte participação das escolas de Araxá e um acervo audiovisual que documenta parte importante da literatura brasileira contemporânea. Entre 2012 e 2026, cerca de 270 mil presenças físicas foram registradas nas edições presenciais do Festival. A trajetória reúne mais de mil participações de autores e convidados, além de quase 900 vídeos disponíveis no canal do Fliaraxá no YouTube, que acumulava em 2026 mais de 400 mil visualizações e perto de 7 mil inscritos. Sempre patrocinado pela CBMM, desde a primeira edição, via Lei Rouanet.
O Festival nasceu em 2012, na Fundação Cultural Calmon Barreto, em Araxá. Na primeira edição, foram 25 autores e 6 mil participantes. O crescimento veio rapidamente: 8 mil pessoas em 2013, 11 mil em 2014 e 15 mil em 2015. Em 2016, o público já se aproximava de 17 mil pessoas. No ano seguinte, a mudança para o Grande Hotel marcou uma nova escala: a sexta edição recebeu 25.776 participantes e 80 autores, em 125 atividades.
Em 2018, o público superou 27 mil pessoas e, em 2019, chegou a aproximadamente 30 mil. Em 2022, depois da edição digital realizada durante a pandemia, o encontro presencial voltou com cerca de 35 mil pessoas, o maior público presencial documentado na história do Fliaraxá.
Ao longo dessa trajetória, o Festival construiu cada edição em torno de um tema. “Juventude, Literatura e Experiência”, “A Viagem na Literatura”, “Leitura para um Mundo Melhor”, “Imagina o Livro, Imagina a Cidade”, “O Amor, a Leitura e as Diferenças”, “Língua, Leitura e Utopia”, “Alma, Leitura e Revolução” e “Literatura, Leitura e Imaginação” marcaram o primeiro ciclo. Depois vieram temas relacionados às transformações tecnológicas, à Independência e à Abolição, à educação e ao patrimônio, à diversidade, à encruzilhada e, em 2026, “Meu Lugar no Mundo”, inspirado no pensamento de Milton Santos.
A lista de escritores e intelectuais que passaram pelo Festival ajuda a dimensionar esses números. Ziraldo foi o primeiro homenageado, em 2012. Desde então, estiveram em Araxá nomes como Adélia Prado, Luiz Vilela, Lya Luft, Milton Hatoum, Mia Couto, José Eduardo Agualusa, Conceição Evaristo, Itamar Vieira Junior, Djamila Ribeiro, Bruna Lombardi, Scholastique Mukasonga, Ana Maria Machado, Marina Colasanti, Ailton Krenak, Nélida Piñon, Luis Fernando Verissimo, Zuenir Ventura e Mauricio de Sousa, além de autores de diferentes gerações e países.
A internacionalização também foi construída progressivamente. Escritores de Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Ruanda, África do Sul e outros países participaram das diferentes edições. Em 2017, com “Língua, Leitura e Utopia”, essa presença internacional tornou-se parte do próprio conceito do Festival: Mia Couto foi o homenageado, José Saramago, o Patrono, e Araxá recebeu escritores de vários países de língua portuguesa.
O crescimento presencial foi acompanhado, desde o primeiro momento, por uma característica que distingue o Fliaraxá. Desde sua primeira edição, em 2012, o Festival transmite ao vivo pelo YouTube sua programação principal. A transmissão nunca foi uma solução criada posteriormente nem uma resposta à pandemia: nasceu junto com o próprio Fliaraxá e atravessou todas as suas 14 edições.
Não se conhece outro festival literário no mundo que tenha transmitido integralmente e ao vivo, pelo YouTube, todas as suas edições desde a criação. Essa continuidade transformou o canal do Fliaraxá em muito mais do que uma plataforma de divulgação.
Em 2026, ele se aproximava de 900 vídeos, com quase 7 mil inscritos e mais de 400 mil visualizações acumuladas, formando um arquivo audiovisual de centenas de horas de conversas, palestras, entrevistas, lançamentos e encontros com escritores. O que aconteceu em Araxá ao longo desses 14 anos permanece disponível para ser visto e revisto.
Esse trabalho ganhou uma dimensão inesperada em 2020. Com a pandemia impedindo a realização presencial, a nona edição foi transformada em um festival inteiramente digital. Mas há uma distinção importante: a pandemia não levou o Fliaraxá para a internet — o Festival já estava lá desde 2012. Em 2020, o que mudou foi que o digital deixou de complementar o encontro presencial e passou, excepcionalmente, a ser o próprio espaço do Festival.
Foram 101 horas de transmissão, com autores conectados de diferentes países. Somadas as plataformas Facebook, Instagram, Twitter e YouTube, a edição gerou mais de 6,2 milhões de visualizações de conteúdo. O número não equivale a espectadores individuais, mas mostra o alcance adquirido pelo Festival muito além dos limites físicos de Araxá.
Quando o encontro presencial voltou, o digital permaneceu. Em 2024, aproximadamente 150 atividades foram transmitidas em 4K. O canal registrava então 5.830 inscritos e 319 mil acessos, com audiência também fora do Brasil. Em 2026, foram realizadas 42 transmissões ao vivo somente durante os quatro dias da 14ª edição, alcançando 11 mil visualizações naquele período.
Outro eixo dessa história acontece dentro das escolas. O Prêmio de Redação, iniciado nas primeiras edições e posteriormente ampliado também para o desenho, tornou-se uma das principais ações permanentes do Fliaraxá. Em 2024, 58 escolas, correspondentes a 83% da rede escolar de Araxá, participaram do projeto, que envolveu cerca de 20 mil estudantes. Em 2025, as mesmas 58 escolas representavam 86% da rede. Em 2026, a adesão chegou a 90% das escolas do município.
Os livros também podem ser medidos. Na edição de 2024, a Livraria do Fliaraxá ocupou 440 metros quadrados, ofereceu cerca de 30 mil títulos e vendeu aproximadamente 7 mil exemplares. Foram realizadas 173 sessões de autógrafos. Em 2025, o Festival contabilizou mais de 90 lançamentos de livros. No ano seguinte, 84 obras foram apresentadas em mesas, debates e lançamentos.
Ao mesmo tempo, o Festival passou a produzir efeitos econômicos mensuráveis na cidade. Cerca de 300 profissionais estiveram envolvidos na realização da edição de 2022. Em 2024 foram contabilizados 250 profissionais entre empregos diretos e indiretos. Em 2025, o balanço registrou 143 postos diretos e indiretos, além da movimentação provocada pela montagem, hospedagem, alimentação, transporte e demais serviços associados ao evento.
A escala da programação também mudou. Em 2017 foram 125 atividades. Em 2022, 155. A edição de 2023 chegou a 291 atrações. Em 2025 foram mais de cem atividades. Somente naquele ano, passaram pelo Festival 135 autores nacionais e internacionais, com mais de 90 lançamentos.
Os números ajudam a contar uma história que começou de maneira relativamente modesta. Em novembro de 2012, 25 autores e 6 mil pessoas ocuparam durante três dias o pátio da Fundação Cultural Calmon Barreto. Quatorze edições depois, o Fliaraxá acumula cerca de 270 mil presenças físicas, mais de mil participações de autores e convidados e centenas de horas de conteúdo audiovisual preservadas.
Mas talvez um dos números que melhor revelem o vínculo construído com Araxá esteja fora dos auditórios. Em 2026, nove em cada dez escolas da cidade participaram do Prêmio de Redação e Desenho. O Festival que começou trazendo escritores para encontrar leitores passou também a estimular crianças e jovens da cidade a escrever, desenhar e pensar o lugar onde vivem.
Em 2027, essa trajetória chega a um novo marco. De 10 a 13 de junho, o Teatro CBMM, no Centro Cultural Uniaraxá, receberá a 15ª edição do Fliaraxá.
Quinze anos depois daquele primeiro encontro de 2012, os números mostram o tamanho alcançado pelo Festival. Mas existe um patrimônio que os números, sozinhos, não conseguem medir.
Desde o primeiro Fliaraxá, uma câmera estava ligada.
Os escritores falaram. Os leitores perguntaram. As ideias circularam. E tudo foi sendo registrado e transmitido ao vivo.
Hoje são quase 900 vídeos.
Por isso, a história do Fliaraxá tem uma característica rara: ela não precisa ser apenas contada ou lembrada.
Ela pode ser vista. E revista.
E é desse acervo de 14 edições que o Fliaraxá parte agora para escrever o próximo capítulo de sua história: a 15ª edição, em junho de 2027, entre 10 e 13, no Centro Cultural Uniaraxá.