Saiba como foi o descontraído encontro entre Antônio Fagundes e Valter Hugo Mãe no Fliaraxá
Antônio Fagundes (Personalidade literária do IX Fliaraxá) e Valter Hugo Mãe

Saiba como foi o descontraído encontro entre Antônio Fagundes e Valter Hugo Mãe no Fliaraxá

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Em um bate-papo descontraído sobre literatura, novela, questões políticas, sociais e da língua portuguesa, Antônio Fagundes e Valter Hugo Mãe encerraram o primeiro dia de Fliaraxá. Fagundes é a personalidade literária desta edição, ou seja, representante de todos aqueles que se encantam com a literatura, de acordo com ele. “A princípio eu fiquei um pouco angustiado com a homenagem, porque pensei que eu não tinha a menor importância no meio de gente tão extraordinária”, declarou.

Depois, entendeu o seu papel e se sentiu feliz com a nomeação. Na última novela em que atuou, “Bom sucesso”, da Globo, ele fazia a personagem de um editor. “Fazer uma personagem que estimulava a leitura era o que me faltava”, completou. Ainda de acordo com Afonso Borges, a escolha teve mais um motivo. “O Fagundes é a pessoa que mais lê que eu conheço”, explicou. 

O começo da fala de Valter Hugo Mãe foi saudosista. Ele participou do Fliaraxá em 2019 como autor homenageado. Em 2020, relembrou o carinho do público e o tempo que passou no Grande Hotel. Em seguida, destacou a sua admiração por Antônio Fagundes. A novela “Amor à vida” está sendo reprisada em Portugal e ele é um telespectador assíduo. “Eu fico muito curioso, porque a imagem que me vem à mente é de um ator muito sólido. Você vai dando características à personagem, já que é uma novela longa. Mas a sua solidez é assombrosa”, disse a Fagundes.

Literatura e atuação

Durante a conversa, foi estabelecido um paralelo sobre como é ler e fazer literatura e como é atuar. No entanto, as duas áreas andam juntas. “Cada cena que eu faço vem alicerçada por tudo aquilo que eu li. Tudo aquilo que me emocionou positiva e negativamente”, disse Fagundes. Por outro lado, Hugo Mãe também entende essa relação e essa importância, mas prefere ficar apenas na literatura. “Eu não tenho condição de fazer uma personagem, porque a minha personalidade boicotaria o papel”, revela o escritor. A afirmação parte do pressuposto de que ele está sempre em protesto, em desacordo até mesmo com as atitudes das próprias personagens.

A língua portuguesa

“Não há uma língua portuguesa, há línguas em português” é o tema/conceito do IX Fliaraxá. De acordo com Hugo Mãe, “o português europeu manteve uma ortodoxia um pouco mais restrita, que pode construir uma elegância que o Brasil teve alguma urgência em perder. O Brasil é feito de uma realidade tão gritante e tão urgente que precisou de utilizar a língua em forma de grito, despojada de qualquer eloquência que a torna opaca”.

“Para mim, o português do Brasil traduz uma ferida urgente.” Ao mesmo tempo, segundo ele, no Brasil, os falantes têm a capacidade de produzir sentido e resumir o pensamento e os fatos mais rapidamente.

No bate-papo, os convidados ainda falaram sobre os próximos projetos, a relação com a tecnologia e as lições da pandemia.

 

Acesse aqui a programação completa.

SOBRE O FLIARAXÁ

O Fliaraxá foi criado em 2012 pelo empreendedor cultural e diretor-presidente da Associação Cultural Sempre um Papo, Afonso Borges. As cinco primeiras edições aconteceram no pátio da Fundação Calmon Barreto e, a partir de 2017, o festival passou a ocupar o Tauá Grande Hotel de Araxá, patrimônio histórico do Estado de Minas Gerais, edificação construída em 1942. Naquela edição, nasceu também o “Fliaraxá Gastronomia”. Cerca de 140 mil pessoas passaram pelo festival. Mais de 400 autores participaram da programação.

IX FLIARAXÁ – FESTIVAL LITERÁRIO DE ARAXÁ – 28 DE OUTUBRO A 1.º DE NOVEMBRO DE 2020

Transmissão virtual 24 horas pelos canais:

www.youtube.com/fliaraxá

www.fliaraxa.com.br

Texto por Jaiane Souza/Culturadoria