Com a TV Escola, um festival para todo mundo ver

Com a TV Escola, um festival para todo mundo ver

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Por Chico Mendonça

Mesmo virtual, o Fliaraxá 2020 não perdeu o calor humano. A nova edição do festival, que começa nesta quarta, 28 de outubro, apesar da plateia vazia no Tauá Grande Hotel de Araxá, chegará às escolas públicas de todo país, às capitais, centros urbanos e também às vilas, quilombolas e comunidades indígenas, mesmo aquelas onde os carteiros não costumam entregar correspondência. Distâncias antes impossíveis de vencer por um festival de literatura, serão superadas este ano pelo nosso Fli, graças, especialmente, à TV Educativa.

Criada em 1975 e inspirada no pioneirismo de Edgard Roquette Pinto, que nos anos 20 criou a primeira rádio educativa do Brasil, a TV Educativa fará, pela primeira vez em sua história, a transmissão de um festival de literatura. A TVE tem por meta a atualização dos professores e a oferta de recursos de aprendizagem, dentro e fora das salas de aula. Utiliza, para atingir 100 milhões de pessoas e 50 mil escolas, a tv aberta, todos os canais fechados, a rede RNP de TV, TVs universitárias, e as redes sociais, como Facebook, Instagram e Youtube, além de aplicativos.

A essas pessoas, de origem, vida e histórias tão diversas, será dado ver, entre tantos outros grandes nomes da literatura em língua portuguesa convidados, o admirado Ignácio de Loyola Brandão, autor de “Não Verás País Nenhum”, considerado escritor dos mais completos de sua geração; o poeta, romancista, contista, cronista, autor de tantos encantamentos, o moçambicano Mia Couto; o líder indígena, jornalista e escritor Aílton Krenak, que deixou importante contribuição na Constituição de 1988; a mineira magnética Conceição Evaristo, autora homenageada pelo Fliaraxá e considerada Personalidade Literária pelo Prêmio Jabuti de 2019; o premiado angolano José Eduardo Agualusa, autor de Teoria do Esquecimento, entre outras pérolas; Nélida Piñon, a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras, consagrada por uma obra traduzida em mais de 30 países; Valter Hugo Mãe, um dos mais destacados escritores portugueses da atualidade; Djamila Ribeiro, considerada uma das 100 mulheres mais influentes do mundo pela BBC; a escritora, tradutora e artista plástica, Marina Colasanti, autora de 60 livros em diversos gêneros literários; o premiado Sérgio Rodrigues, profundo conhecedor de linguagem e da língua portuguesa, autor de “O Drible” e de “Viva a Língua Brasileira”; além do querido por todos, ator e escritor, Personalidade do Livro do Fliaraxá 2020, Antonio Fagundes.

Todas essas personalidades e outros tantos convidados aqui não citados por imperdoável falta de um critério absoluto e indiscutível, vão descortinar para o Brasil e para pessoas que falam português mundo afora temas de – aí sim – absoluta e indiscutível relevância. Por exemplo – e mais uma vez, os destaques são apenas grãos catados à revelia em prato farto -, como foi a reação dos brasileiros quando o país sofreu a perda de 50 milhões de vidas para a gripe espanhola, e como a tragédia de 1918 se compara com a pademia dos tempos atuais; a cultura, as crenças e o preconceito; a literatura, a identidade e o pertencimento; as vidas espalhadas pelo mundo que tanto têm a compartilhar por meio da língua em comum, o português; e a paciência, construindo um dia após o outro em meio às limitações e adversidades que a Covid-19 trouxe para nossos dias.  E paro por aqui porque tanta riqueza de  conteúdo exige fôlego e alma menos emotiva que a minha.