O papel da poesia é tema de mesa no terceiro dia de Fliaraxá
Mesa "Que gênero é: poesia"

O papel da poesia é tema de mesa no terceiro dia de Fliaraxá

  • Post category:Notícias

Não é novidade que o papel das artes é fundamental em momentos de crise como no da epidemia do coronavírus. Falando de poesia mais especificamente, a sua relação com a Covid-19 e os seus desdobramentos foram temas da mesa “Que gênero é: poesia”, que recebeu João Luís Barreto Guimarães, Adriana Lisboa e Mbate Pedro. Em três diferentes continentes, o sentimento em relação à pandemia é parecido. Adriana mora há 14 anos nos Estados Unidos e está, de acordo com ela, em duplo tumulto: o das eleições presidenciais e o da pandemia. 

Em meio a isso, encontra uma lição. “Uma coisa que a pandemia ensinou para todos nós é que a vida passou a ser uma sucessão de momentos, tudo a curto prazo”, conta. A Europa de João Luís Barreto Guimarães enfrenta uma segunda onda de infecção do vírus e também preocupa. Mbate, além de escritor, é médico, e refletiu sobre o sistema de saúde de Moçambique. “Mesmo que a gente tenha um sistema de saúde frágil, nosso país conseguiu reagir à pandemia. Nosso desafio agora é conseguirmos nos preparar para a segunda onda.”

O papel da poesia e da língua portuguesa

“A língua portuguesa é algo que nos une mais do que nos separa”, destacou Adriana Lisboa, a partir do fato de cada convidado estar em um canto do mundo. Atrelado a isso, a poesia surge com papel subversivo. “Não é à toa que os nossos líderes de extrema direita têm muito medo de literatura, dos professores, da sala de aula e daquilo que se pode alcançar por meio do pensamento e da palavra”, disse a autora. Portanto, a poesia é o lugar da indagação, do que o mundo representa para as pessoas e do que as pessoas representam para o mundo. 

“Nós, os poetas, temos a veleidade de imaginar que a poesia pode ter uma papel importante e acreditamos que assim seja. Se é verdade ou não, depende muito dos contextos sociológicos”, acrescenta João Luís Barreto Guimarães. 

Mbate Pedro destaca, ainda, que em outros momentos, como o atual, a poesia sempre teve papel importante de trazer esperança às pessoas. Para isso, parafraseia Valter Hugo Mãe ao dizer que a poesia é uma espécie de luz que se acende na nossa cabeça para ajudar a ver melhor a escuridão. 

 

Na conversa, os autores também falaram sobre o processo criativo ao escrever poesia e fizeram uma leitura no fim. A transmissão está sendo feita em tempo real, e você confere a seguir.

SOBRE O FLIARAXÁ

O Fliaraxá foi criado em 2012 pelo empreendedor cultural e diretor-presidente da Associação Cultural Sempre um Papo, Afonso Borges. As cinco primeiras edições aconteceram no pátio da Fundação Calmon Barreto e, a partir de 2017, o festival passou a ocupar o Tauá Grande Hotel de Araxá, patrimônio histórico do Estado de Minas Gerais, edificação construída em 1942. Naquela edição, nasceu também o “Fliaraxá Gastronomia”. Cerca de 140 mil pessoas passaram pelo festival. Mais de 400 autores participaram da programação.

IX FLIARAXÁ – FESTIVAL LITERÁRIO DE ARAXÁ – 28 DE OUTUBRO A 1.º DE NOVEMBRO DE 2020

Transmissão virtual 24 horas pelos canais:

www.youtube.com/fliaraxa

www.fliaraxa.com.br

Texto por Jaiane Souza/Culturadoria