Noemi Jaffe, José Luís Peixoto e Joca Terron refletem sobre o “espírito do tempo” e o papel da ficção
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Noemi Jaffe, José Luís Peixoto e Joca Terron refletem sobre o “espírito do tempo” e o papel da ficção

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É possível identificar o espírito do tempo ou encontrar quem se aproxime de entendê-lo atualmente? Para os escritores Noemi Jaffe, José Luís Peixoto e Joca Terron é difícil dizer. Eles participaram da mesa “Ficção hoje” e conversaram também sobre as trajetórias na literatura. Espírito do tempo é uma tradução do termo alemão “zeitgeist”, que significa algo como o conjunto de aspectos que determinam uma época, como os culturais, intelectuais e sociológicos, por exemplo. 

De acordo com Noemi, atualmente é difícil perguntar se existe o zeitgeist, já que os tempos andam velozes. “Talvez o espírito do nosso tempo, ou uma das faces dele, seja essa fracionalidade”, reflete. Além disso, a autora repara que, para além da pandemia, as pessoas estão vivendo histórias parecidas, sejam políticas, sociais ou econômicas. 

Por outro lado, Joca Terron sente-se mais imerso nesse sentimento, pois acredita que o escritor precisa ir além. “Se o escritor tem um compromisso verdadeiro com aquilo que faz, ele é obrigado a refletir sobre o espírito do tempo”, comenta. José Luís complementa com a mesma linha de pensamento. “Mesmo que se escreva romance histórico, ficção científica, etc., acaba tendo relação com o tempo em que se escreve, uma ambição de ir mais além e ultrapassar o tempo que se está a escrever.” 

Mesmo assim, é importante pensar no “prazo” da literatura ou de uma obra, já que daqui a 100 anos uma história, mesmo em outro contexto, continuará fazendo sentido. “Efetivamente acredito que a literatura tem esse vínculo com o espírito do tempo, espírito do presente. Mas seríamos nós capazes de reconhecê-lo, de identificá-lo?”, questiona José Luís Peixoto. 

O Fliaraxá está 24 horas no ar até amanhã, dia 1.º de novembro. No nosso canal do YouTube você confere o que já foi realizado e, abaixo, a programação em tempo real.

SOBRE O FLIARAXÁ

O Fliaraxá foi criado em 2012 pelo empreendedor cultural e diretor-presidente da Associação Cultural Sempre um Papo, Afonso Borges. As cinco primeiras edições aconteceram no pátio da Fundação Calmon Barreto e, a partir de 2017, o festival passou a ocupar o Tauá Grande Hotel de Araxá, patrimônio histórico do Estado de Minas Gerais, edificação construída em 1942. Naquela edição, nasceu também o “Fliaraxá Gastronomia”. Cerca de 140 mil pessoas passaram pelo festival. Mais de 400 autores participaram da programação.

IX FLIARAXÁ – FESTIVAL LITERÁRIO DE ARAXÁ – 28 DE OUTUBRO A 1.º DE NOVEMBRO DE 2020

Transmissão virtual 24 horas pelos canais:

www.youtube.com/fliaraxa

www.fliaraxa.com.br

Texto por Jaiane Souza/Culturadoria