Narrativas sobre o outro e sobre lugares é tema de mesa no IX Fliaraxá
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Narrativas sobre o outro e sobre lugares é tema de mesa no IX Fliaraxá

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A literatura tem o poder de navegar por lugares distintos sem que o autor ou o leitor estejam ou já tenham estado nesses lugares. Além disso, fala sobre o outro e os seus mais diferentes estados. A mesa “A língua para contar: histórias de um povo e de um lugar”, tratou justamente desse assunto. Com mediação de Tito Couto, a conversa recebeu Luiz Ruffato, Paulo Scott e Bruno Vieira Amaral. Os dois primeiros são escritores brasileiros, e Bruno é português. Eles conversaram sobre a língua portuguesa e sobre como é contar histórias de um lugar específico. Os três escritores têm em comum narrativas que falam sobre quem vive à margem, aqueles que são excluídos e têm pouca voz. 

Ruffato não está propriamente ligado a um fazer literário de protesto e de engajamento, mas constrói as histórias que tratam disso, levando em conta alguns aspectos. “Sempre penso que a literatura tem uma beleza, qualidade característica que envolve todos os outros discursos, seja ele sociológico, seja político, etc. Mas ela não é nenhum deles. Ela incorpora cada um e transforma-se em outra coisa”, destaca. Tendo isso em vista, acredita que a literatura tem o poder de modificar o leitor, evidenciando questões da realidade a partir da criação de uma realidade literária. “De todas as artes, talvez a literatura seja a que mais tem a capacidade de libertação”, reflete.

O momento de pandemia modificou o modo de consumir literatura, de acordo com Paulo Scott. “As leituras estão se dando em outro nível. Nessa leitura que se renova, descubro uma consciência da realidade brasileira”, comenta. Essa relação com o outro também é importante para Bruno Vieira Amaral. “Quanto mais curamos os lados sombrios da nossa existência e dos nossos pensamentos, mais completos podemos ser”, arremata.

Histórias de um povo e de um lugar

Luiz Ruffato e Paulo Scott participaram do projeto “Amores Expressos”, da editora Companhia das Letras, e foram a Lisboa e a Sydney para criarem os livros “Estive em Lisboa e lembrei de você” e “Ithaca Road”, respectivamente. O projeto selecionou 17 escritores a irem para 17 cidades ao redor do mundo e escrever um romance. 

Sendo assim, Ruffato optou por descentralizar a sua narrativa. “Fui morar por 30 dias na periferia de Lisboa”, relembra. Na narrativa do livro, o protagonista Serginho convive com a falta de perspectiva na cidade de Cataguases-MG e muda-se para Lisboa em busca de melhores condições. Chegando lá, as coisas não são exatamente como ele esperava. 

Paulo Scott foi para Sydney e contou a história de uma personagem com ascendência maori e europeia. “Acho que esse livro revela novamente uma investigação do outro, uma investigação do oculto e do que não é visualizado”, explica Scott. Ele se concentrou na higienização que as grandes cidades realizam quando recebem os jogos olímpicos. “Expus a eliminação dos aborígenes de uma área muito nobre de Sidney.”

Em resumo, os autores defenderam, ainda, que a literatura é um lugar de liberdade, não abrindo espaço à censura, buscando aumentar cada vez mais sua abrangência e jogar luz sobre temas fundamentais.

Acompanhe a programação em tempo real.

SOBRE O FLIARAXÁ

O Fliaraxá foi criado em 2012 pelo empreendedor cultural e diretor-presidente da Associação Cultural Sempre um Papo, Afonso Borges. As cinco primeiras edições aconteceram no pátio da Fundação Calmon Barreto e, a partir de 2017, o festival passou a ocupar o Tauá Grande Hotel de Araxá, patrimônio histórico do Estado de Minas Gerais, edificação construída em 1942. Naquela edição, nasceu também o “Fliaraxá Gastronomia”. Cerca de 140 mil pessoas passaram pelo festival. Mais de 400 autores participaram da programação.

IX FLIARAXÁ – FESTIVAL LITERÁRIO DE ARAXÁ – 28 DE OUTUBRO A 1.º DE NOVEMBRO DE 2020

Transmissão virtual 24 horas pelos canais:

www.youtube.com/fliaraxá

www.fliaraxa.com.br

Texto: Jaiane Souza / Culturadoria