Lugar de fala, gênero e identidade na literatura foram temas de mesa com Tânia Ganho, Yara Monteiro e Tito Couto
Foto: Fliaraxá / Divulgação

Lugar de fala, gênero e identidade na literatura foram temas de mesa com Tânia Ganho, Yara Monteiro e Tito Couto

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“Não existe conceito de gênero masculino e feminino na literatura. Temos que deixar isso. A boa literatura é universal, independente da condição individual de cada um de nós. O caminho é todos poderem expressar sua voz”, disse a escritora portuguesa nascida em Angola, Yara Monteiro. Ela participou da mesa “A mesma língua, novos registros: gênero e identidade” junto com Tânia Ganho e Tito Couto.

O principal assunto do encontro foi se a escrita teria gênero. “Estudos que analisam a escrita e fazem testes, chegam a conclusão que um bom texto literário não tem. Se for um bom escritor consegue passar o gênero que quiser. A visibilidade que se dá a isso tem que mudar. Essa ideia que temos que escrever sem gênero é como se tivesse que apagar nossas questões. Isso é um enorme preconceito do patriarcado. Não temos que ser neutro. Temos que falar nossa realidade”, salientou a escritora Tânia Ganho.

O lugar de fala foi outro tema discutido na mesa. É preciso que o escritor viva o que ele quer escrever? Segundo Yara, não. “Eu como escritora tenho dificuldade de entender essa questão de lugar de fala. Parte da ficção é colocar no lugar do outro experimentar outra vivência. Eu não posso só escrever a partir da minha casa”.

“Os temas estão aí e como escritores temos o direito de querer falar sobre eles. Se vamos fazer direito ou não é outro assunto. Eu não passei pela questão de refugiados, mas quero escrever sobre eles. Eu quero escrever sobre o que me inquieta e sobre pessoas que não têm vozes”, acrescentou Tânia.

SOBRE O FLIARAXÁ

O Fliaraxá foi criado em 2012 pelo empreendedor cultural e diretor-presidente da Associação Cultural Sempre um Papo, Afonso Borges. As cinco primeiras edições aconteceram no pátio da Fundação Calmon Barreto e, a partir de 2017, o festival passou a ocupar o Tauá Grande Hotel de Araxá, patrimônio histórico do Estado de Minas Gerais, edificação construída em 1942. Naquela edição, nasceu também o “Fliaraxá Gastronomia”. Cerca de 140 mil pessoas passaram pelo festival. Mais de 400 autores participaram da programação.

Texto por Thiago Fonseca/Culturadoria