“É importante ler João Cabral e não ter medo”, disse Schneider Carpeggiani em mesa sobre o patrono do IX Fliaraxá
Foto: Fliaraxá / Divulgação

“É importante ler João Cabral e não ter medo”, disse Schneider Carpeggiani em mesa sobre o patrono do IX Fliaraxá

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João Cabral de Melo Neto inaugurou uma nova forma de fazer poesia no Brasil. O escritor e diplomata é conhecido por escrever poemas complexos e de difícil entendimento. Foi para desmistificar esse olhar para a obra do autor que Antonio Carlos Secchin, Schneider Carpeggiani e Heloisa Starling se reuniram no Fliaraxá no fim da tarde deste sábado, dia 31.

“O problema não é o poema difícil, e sim, o leitor fácil. O que já está acostumado com certo padrão lírico que entende como poema e poesia”, disse Antonio Carlos Secchin. Ele é um dos maiores estudiosos do Brasil da obra de Cabral e fez até uma coletânea de poemas. Revelou que toda a produção do poeta transitava na obra de Carlos Drummond de Andrade, que foi até padrinho de casamento dele.

Dono de um estilo próprio

Ainda segundo Secchin, a obra de João Cabral é única, sendo assim, o poeta não teve antecessor e nem sucessor. O trabalho dele, em resumo, é marcado por uma transição que vai de uma tendência surrealista até a poesia popular. Além disso, é caracterizado pelo rigor estético, com poemas avessos a confessionalismos e marcados pelo uso de rimas toantes.

“Cabral criou uma outra linhagem onde está sozinho. Onde você vai encontrar na poesia propostas que ele desenvolveu? É meio órfão da poesia brasileira e não procriou. O texto dele é tão pessoal que não gera novos Cabral’s. Suas marcas são inconfundíveis. Dessa forma, a leitura demanda lentidão. Para que tanta pressa? Leia devagar. Cabral é um poeta claro, mas às vezes claridade excessiva ofusca. Cabral celebra a superfície”, disparou Secchin.

Muita das vezes as características dos poemas do escritor passam a impressão de que Cabral escrevia textos difíceis de serem lidos e compreendidos. Contudo, segundo Schneider, “não existe poema fácil e nem difícil. O problema está no leitor que às vezes acha que o poema não é de Cabral ou se aproxima com preconceitos. Cabral foi subversivo, um homem que leu o modernismo e inventou uma gramática nova”.

A principal obra do poeta, “Morte e Vida Severina”, também foi discutida na mesa. Ainda de acordo com Secchin, o livro é o grande cartão de visita de Cabral. “É o maior sucesso dele e de toda a história da poesia brasileira. Não tem um livro que eu conheça que teve mais de 100 edições. Todos tem que começar lendo essa obra, mas meu temor é que a pessoa que entre nele só fique nisso”, comentou Secchin.

SOBRE O FLIARAXÁ

O Fliaraxá foi criado em 2012 pelo empreendedor cultural e diretor-presidente da Associação Cultural Sempre um Papo, Afonso Borges. As cinco primeiras edições aconteceram no pátio da Fundação Calmon Barreto e, a partir de 2017, o festival passou a ocupar o Tauá Grande Hotel de Araxá, patrimônio histórico do Estado de Minas Gerais, edificação construída em 1942. Naquela edição, nasceu também o “Fliaraxá Gastronomia”. Cerca de 140 mil pessoas passaram pelo festival. Mais de 400 autores participaram da programação.

IX FLIARAXÁ – FESTIVAL LITERÁRIO DE ARAXÁ – 28 DE OUTUBRO A 1.º DE NOVEMBRO DE 2020

Transmissão virtual 24 horas pelos canais:

www.youtube.com/fliaraxa

www.fliaraxa.com.br

Texto por Thiago Fonseca/Culturadoria