Censura de temas em livros infantis e a produção literária em diferentes fases da vida marcaram a manhã do dia 30 no Fliaraxá
Foto: Daniel Bianchini / Divulgação

Censura de temas em livros infantis e a produção literária em diferentes fases da vida marcaram a manhã do dia 30 no Fliaraxá

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“As crianças gostam de histórias de terror, de bruxas e de dragão. Quanto mais a gente trabalha com personagens que causam medo, a gente ajuda as pessoas a lidarem com os medos interiores delas. É uma bobagem censurar temas como esse. Não vou deixar de escrever e publicar”, disparou a escritora Rosana Rios. Ela participou de bate-papo com o curador da programação infantojuvenil, Leo Cunha, na manhã desta sexta-feira, dia 30.  A programação infantojuvenil do IX Fliaraxá contou, ainda, com Daniel Munduruku.

Já na programação local, a atriz Letícia Braga e a escritora Esther Ferreira, falaram sobre como as brincadeiras, leituras e histórias podem desencadear desejos e respostas de o que ser quando crescer. “Eu sempre gostava de escrever uns minilivrinhos sobre mim mesma quando eu era pequena, aos poucos fui gostando cada vez mais de ler e me inspirei na Letícia para escrever o meu primeiro livro”, relatou Esther.

Infantojuvenil

Daniel Munduruku bateu papo com Leo Cunha no início da manhã. Falou sobre infância e livros que escreveu, por exemplo, “Meu avô Apolinário”. A obra recebeu da Unesco menção honrosa no Prêmio Literatura para Crianças e Jovens na questão da tolerância.

“Tive a infância rodeada de floresta. Brincava nas árvores e no rio. Escrevi o livro pois a gente precisa voltar no passado e são nossos avós que nos colocam no começo de tudo. Além disso, o adulto precisa carregar dentro de si as infâncias. É muito importante brincar e cultivar isso para o resto da vida. Pois só assim os adultos vão conseguir entender as crianças”, explicou Daniel.

Trinta e dois anos da vida de Rosana Rios foram dedicados à literatura. Sendo assim, a escritora já publicou 173 livros. Ela foi a segunda convidada da manhã desta sexta. Falou sobre carreira, censura de livros e projetos. “Nos últimos tempos tenho me dedicado à mitologia e aos contos populares. Estou me aventurando em obras de mistérios e crônicas”, contou Rosana.

Produção literária em diferentes fases da vida

A programação local debateu a literatura na adolescência e na terceira idade. Na mesa “Literatura + 60” participaram Marinez Gotelip – Presidente Instituto Apreender-, Dra. Michelle Clos e Luiz Humberto França. Eles falaram do lançamento do livro “Bagagem Empreendedora”. Ele traz depoimentos de 17 pessoas empreendedoras com mais de 60 anos de vida.

“Muitas vezes nós limitamos as pessoas. Elas envelhecem do mesmo modo que vivem e os interesses vão acompanhar a caminhada. A pessoa tem que manter ativo o que desperta interesse nelas e às vezes reaprender a escrita. Isso pode acontecer aos 60, 70 anos. O importante é entender que não existe idade e limite para se desafiar”, disse Michelle.

A atriz Letícia Braga e a escritora Esther Ferreira participaram da mesa “Literatura na adolescência”, mediada por Rafael Nolli. No bate-papo, elas discutiram sobre a presença da literatura em na vida delas, na atuação assim como escritoras e como leitoras, e falaram de referências, de outros trabalhos, da vida pessoal e indicaram filmes e séries.

SOBRE O FLIARAXÁ

O Fliaraxá foi criado em 2012 pelo empreendedor cultural e diretor-presidente da Associação Cultural Sempre um Papo, Afonso Borges. As cinco primeiras edições aconteceram no pátio da Fundação Calmon Barreto e, a partir de 2017, o festival passou a ocupar o Tauá Grande Hotel de Araxá, patrimônio histórico do Estado de Minas Gerais, edificação construída em 1942. Naquela edição, nasceu também o “Fliaraxá Gastronomia”. Cerca de 140 mil pessoas passaram pelo festival. Mais de 400 autores participaram da programação.

IX FLIARAXÁ – FESTIVAL LITERÁRIO DE ARAXÁ – 28 DE OUTUBRO A 1.º DE NOVEMBRO DE 2020

Transmissão virtual 24 horas pelos canais:

www.youtube.com/fliaraxa

www.fliaraxa.com.br

Texto por Thiago Fonseca/Culturadoria