As fases Pré e Pós do festival confirmam que, com ou sem pandemia, o Fli é de Araxá

As fases Pré e Pós do festival confirmam que, com ou sem pandemia, o Fli é de Araxá

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O Pós-Fli terá atividades como palestras e encontros virtuais com as escolas e o IX Prêmio de Redação Maria Amália Dumont

Por Chico Mendonça

O Fliaraxá está em sua nona edição e já é bem conhecido do público que gosta de literatura, dentro e fora do Brasil. De todas essas pessoas, certamente as que mais aproveitam o festival são, certamente, aquelas que vivem em Araxá. Todo ano, antes, durante e depois do Fli, a população da cidade, especialmente alunos e professores das redes pública e particular, participam de uma série de atividades promovidas pelo festival.

No Pré-Fliaraxá já são tradicionais as contações de história em escolas, praças e bibliotecas públicas, com a participação de autores de livros infantis e infanto-juvenis visitando cada um desses lugares. Uma verdadeira caravana, composta por escritores premiados, sob a curadoria de Leo Cunha, ele próprio autor de mais de 50 livros para esses públicos, além de cronista e tradutor reconhecido pela qualidade de seu trabalho. Ao grupo se incorporam escritores araxaenses e grupos locais de contação de histórias.

Confira aqui a programação completa

Todo esse alegre movimento é uma forma de levar o Fliaraxá para “dentro da cidade”, ocupando espaços e espalhando o fazer cultural e o ambiente de festival para além dos domínios do Grande Hotel. Afinal, Araxá não está apenas no nome do Fli, mas é sua principal beneficiária, recebendo a visita de escritores consagrados do país e do exterior. O resultado é a formação de novos leitores, especialmente entre crianças, adolescentes e jovens da cidade. E para formação de novos escritores, é importante lembrar que o IX Fliaraxá promoverá a nova edição do Prêmio de Redação Maria Amália Dumont. Para esse público, somados quase dez anos de festival, o gosto pela literatura já faz parte da sua cultura.

Mas tem ainda o Pós-Fliaraxá. Esse ano o evento ocorrerá em um formato especial: as visitas às escolas serão virtuais (pela via dos aplicativos teams e zoom, além de outros utilizados pelas instituições educacionais). Outra novidade decorrente dos cuidados que a pandemia inspira é a realização do Pós-Fli do dia 9 ao dia 13 de novembro, com a participação de quatro autores que visitarão 12 escolas, entre instituições municipais, estaduais e particulares.

A programação infantil vai contar com diversas atividades em tempo real, como apresentações, em vídeo, de contação de histórias, making of de ilustrações, músicas e encontros lúdicos. Entre os escritores participantes estarão Rosana Rios, Paula Pimenta, Tino Freitas, Daniel Munduruku, José Santos, Rosana Montalverne e Otávio César Jr.

Sob a curadoria dos escritores Luiz Humberto França e Rafael Nolli, 20 autores locais lançarão seus livros e participarão de debates, incluindo José Otavio Lemos, Glaura Teixeira, Vilma Cunha Duarte, João Victor Idaló, Marinez Gotelip, Michelle Clos, Esther Ferreira, Leticia Braga, Lilian Natal, Idelma da Costa, Lisa Alves, Luciano Rodrigues, Flávia Guerra, Thiago Melo, Melina Costa, Simone Alves Fraga e César Campos. A programação completa nas escolas será divulgada em breve aqui no site do Fliaraxá.

A Covid-19 certamente atrapalha, mas não impedirá que este Fliaraxá seja para sempre lembrado na cidade porque nenhuma edição anterior, em razão das dificuldades atuais, foi tão bem planejado e organizado com tanta garra e energia. A capacidade de superação, é sabido, deixa marcas na vida das pessoas.

Outras informações importantes

“Não há uma língua portuguesa, há línguas em português”, frase de José Saramago, extraída do documentário “Língua – Vidas em Português”, de Victor Lopes, é o tema/conceito da nona edição do Fliaraxá – Festival Literário de Araxá –, que vai acontecer entre 28 de outubro e 1º de novembro de 2020.

Clarice Lispector e João Cabral de Melo Neto, que comemoram centenário de nascimento, serão os Patronos; e Conceição Evaristo e José Eduardo Agualusa, os autores homenageados. Calmon Barreto será o patrono local; e o ator Antonio Fagundes, a personalidade literária do ano. O patrocínio é da CBMM e o apoio cultural do Itaú, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, da Secretaria Nacional de Cultura, do Ministério do Turismo.

Estarão reunidos na tela das redes sociais do Fliaraxá cerca de 100 autores de Portugal, Brasil, Cabo Verde, Timor Leste, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Angola e Moçambique.

A lista de autores inclui, de Angola, Ondjaki e José Eduardo Agualusa; de Cabo Verde, Germano Almeida; de Moçambique, Ungulani Ba Ka Khosa, Mbate Pedro e Mia Couto; de Portugal, Valter Hugo Mãe, Bruno Vieira Amaral, Gonçalo M. Tavares, António Araújo, João Luís Barreto Guimarães, José Luís Peixoto, Tânia Ganho, Teolinda Gersão, Onésimo Teotónio de Almeida, Afonso Cruz e Yara Monteiro; de São Tomé e Príncipe, Olinda Beja; do Timor Leste, Luís Cardoso; da Guiné-Bissau, Abdulai Silá; do Brasil, Victor Lopes, Pasquale Cipro Neto, Monja Coen, Antônio Fagundes, Paulo Scott, Luiz Ruffato, Lira Neto, Ronaldo Correia de Brito, Sérgio Rodrigues, Elisa Lucinda, Heloisa Starling, Lilia Schwarcz, Tom Farias, Milton Hatoum, Joca Terron, Noemi Jaffe, Sérgio Abranches, Jeferson Tenório, Nélida Piñon, Marina Colasanti, Simone Paulino, Antonio Carlos Secchin, Schneider Carpeggiani, Conceição Evaristo, Itamar Vieira Júnior, Santiago Nazarian, Raphael Montes, Eliana Alves Cruz, Ignácio de Loyola Brandão, Ailton Krenak, Djamila Ribeiro, Xico Sá e as brasileiras que vivem nos Estados Unidos, Lucrécia Zappi e Adriana Lisboa.

Haverá transmissão virtual 24 horas por dia pelos canais www.youtube.com/fliaraxá, Facebook e pelo site www.fliaraxa.com.br

Para desenhar esta edição, o idealizador e diretor do Fliaraxá, Afonso Borges, construiu uma parceria com a The Book Company, de Portugal, empresa responsável pelos principais festivais literários em Portugal e na África. Ele anuncia uma importante novidade: “Ao final do evento, vamos soltar um manifesto pela sinergia da língua portuguesa e tentar fazer o que a Lusofonia não alcançou”.