As diferenças linguísticas no encontro entre Milton Hatoum, Teolinda Gersão e Ronaldo Correia de Brito
Foto: Fliaraxá / Divulgação

As diferenças linguísticas no encontro entre Milton Hatoum, Teolinda Gersão e Ronaldo Correia de Brito

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Escrever em língua portuguesa foi o tema da mesa com os escritores Milton Hatoum, Teolinda Gersão e Ronaldo Correia de Brito na tarde desta quinta-feira, dia 30 de outubro. A moderação foi de Afonso Borges. No encontro, eles falaram sobre a diferença linguística dos países de língua portuguesa, dos desafios da escrita e sobre políticas de fomento à literatura no Brasil. 

Afonso Borges abriu a mesa questionando os convidados sobre os desafios que a língua portuguesa impõe a si própria e entre os países que a falam. Segundo Teolinda Gersão, o português é uma língua que não é estática. “É o povo com seu uso que faz a língua. Vamos manter nossas diferenças porque enriquecem a língua. Acho absurdo igualizar a língua em todos os países de língua portuguesa. A língua é algo vivo que não tem dono”, disse. 

Milton Hatoum acrescentou dizendo que as diferenças são vistas dentro dos países e das regiões. “Há várias línguas portuguesas no Brasil. A padronização é a morte da língua. Escrevemos na maneira de escrever do português que todos entendam”, ressaltou. “Nós escrevemos, sem dúvida, em um belo idioma de ricas sonoridades, que ainda não resolveram o dilema na oralidade e na escrita”, completou Ronaldo Correia de Brito. 

A ascensão da literatura latino-americana, nas décadas de 1960 e 1970, e a exclusão do Brasil desse contexto também foram temas amplamente discutidos no encontro. Milton foi quem introduziu o assunto. Segundo ele, o Brasil foi deixado de lado porque faltaram  políticas públicas. “Tínhamos autores muito importantes, como Guimarães Rosa e Clarice Lispector, mas na época não houve investimento público. Nós não temos nenhum instituto que promova, divulgue e estimule a literatura brasileira.” 

Ronaldo explicou que a literatura produzida no Brasil só começou a ganhar projeção nacional no governo Lula. “Nos 12 anos do PT, nós fomos conhecidos como a melhor política de tradução. Todo mundo queria traduzir, havia ajuda.” Em relação à difusão da escrita pelo mundo, Teolinda falou que “temos de lutar e trabalhar em rede. Fazer o que os governos não fazem”. 

Acompanhe por aqui o Fliaraxá:

 

 

SOBRE O FLIARAXÁ

O Fliaraxá foi criado em 2012 pelo empreendedor cultural e diretor-presidente da Associação Cultural Sempre um Papo, Afonso Borges. As cinco primeiras edições aconteceram no pátio da Fundação Calmon Barreto e, a partir de 2017, o festival passou a ocupar o Tauá Grande Hotel de Araxá, patrimônio histórico do Estado de Minas Gerais, edificação construída em 1942. Naquela edição, nasceu também o “Fliaraxá Gastronomia”. Cerca de 140 mil pessoas passaram pelo festival. Mais de 400 autores participaram da programação.

IX FLIARAXÁ – FESTIVAL LITERÁRIO DE ARAXÁ – 28 DE OUTUBRO A 1.º DE NOVEMBRO DE 2020

Transmissão virtual 24 horas pelos canais:

 www.youtube.com/fliaraxa 

www.fliaraxa.com.br

Texto por Thiago Fonseca/Culturadoria