A poesia de Mariana Paz, pérolas mineradas na matéria bruta

A poesia de Mariana Paz, pérolas mineradas na matéria bruta

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Por Chico Mendonça

A poeta, rodeada por palavras viscerais, solta as rédeas do controle, deixa-se ficar entre o espaço intermediário entre a consciência e a hipnose , prepara o parto. “O que me inspira é o excesso, o excesso que me habita, a abundância da vida, da morte, da dor, da alegria. Tudo que excede, que não dou conta, que me toma, vira alguma coisa; melhor que vire poema”, diz Mariana Paz, autora do belo Verbo do Rio, livro de poesia, ilustrado por ela mesma, artista plástica. Afinal, a criação é o resultado da relação com a matéria. “Palavra também é matéria”, lembra.

A seguir você vê o mundo de Mariana Paz, delicadamente apresentado pela arte em vídeo de Rodolfo Magalhães – poetas que se olham e traduzem. Ela, a autora de Verbo do Rio, filha de outro poeta, o homem que, alucinado pelos próprios sonhos, ousou fazer brotar do chão de Brumadinho o milagre chamado Inhotim, Bernardo Paz. É dessas montanhas de Minas, do cerrado, do meio da canga da mineração, que Mariana, rodeada de natureza e seus sons viscerais, inventa o silêncio e, enfim, vê. Nasce o poema.