A escrita como forma de denunciar e dar voz a pessoas silenciadas foi tema de mesa com Ungulani Ba Ka Khosa, Itamar Vieira Júnior e Tom Farias

A escrita como forma de denunciar e dar voz a pessoas silenciadas foi tema de mesa com Ungulani Ba Ka Khosa, Itamar Vieira Júnior e Tom Farias

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“A relação que temos hoje com o Brasil é extraordinária. Temos a língua que nos aproxima mesmo com todas as diferenças”, disparou o escritor moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa sobre a migração da literatura dos países africanos no Brasil. Ele fez parte de mesa “Entrelinhas da violência: escrever e denunciar” neste domingo, dia primeiro, com Itamar Vieira Júnior e Tom Farias. Os escritores falaram sobre o processo de criação de livros e sobre histórias não contadas.

O livro mais recente de Ungulani é “Gungunhana: Ualalapi e as mulheres do imperador”, de 2018. A obra é composta de dois romances sobre o violento imperador de Gaza, Ngungunhane-Gungunhana. “Grande parte da minha narrativa toca a memória de certo modo e passa pelos poderes públicos que fogem aos canais oficiais. E isso toca a violência. O processo de criação do romance é do ponto de vista da denúncia, que foi a violência que se deu naquele período”, contou.

Já o escritor baiano Itamar Vieira Junior falou sobre a obra dele, “Torto arado”, de 2019. O livro conta a história de duas irmãs, Bibiana e Belonísia, descendentes de escravos. O enredo foi inspirado em trabalhadores agrícolas do interior da Bahia. “É uma história que me acompanha. Via trabalhadores no regime de servidão semelhante à escravidão. Tanto tempo depois, a gente ainda vê cenas como essas. Sendo assim, o livro surgiu desse incômodo que começou com a literatura e intensificou com o campo de ver pessoas em situações vulneráveis nos nossos dias”, explicou Itamar.

Os escritores falaram também sobre a importância da literatura dar voz a pessoas silenciadas. “A nossa história é carregada de violência. Ainda transportamos isso. A literatura, penso, tem um papel nessa grande catarse”, disse Ungulani. “A gente sabe que existe o genocídio nos bairros periféricos, mas pouca gente ouve falar sobre o que acontece no campo. Ninguém se preocupou em falar nisso, mas é preciso, a literatura contribui”, completou Itamar.

SOBRE O FLIARAXÁ

O Fliaraxá foi criado em 2012 pelo empreendedor cultural e diretor-presidente da Associação Cultural Sempre um Papo, Afonso Borges. As cinco primeiras edições aconteceram no pátio da Fundação Calmon Barreto e, a partir de 2017, o festival passou a ocupar o Tauá Grande Hotel de Araxá, patrimônio histórico do Estado de Minas Gerais, edificação construída em 1942. Naquela edição, nasceu também o “Fliaraxá Gastronomia”. Cerca de 140 mil pessoas passaram pelo festival. Mais de 400 autores participaram da programação.

IX FLIARAXÁ – FESTIVAL LITERÁRIO DE ARAXÁ – 28 DE OUTUBRO A 1.º DE NOVEMBRO DE 2020

Transmissão virtual 24 horas pelos canais:

www.youtube.com/fliaraxa

www.fliaraxa.com.br

Texto por Thiago Fonseca/Culturadoria