Araxá viveu, mais uma vez, dias em que a literatura deixou de habitar apenas os livros e passou a ocupar corredores, auditórios, praças de convivência e conversas espalhadas pela cidade. O 14º Fliaraxá chegou ao fim neste domingo (17), mas se despede deixando uma imagem difícil de esquecer: a de um festival vivido intensamente por quem o constrói e por quem o vive intensamente.
Foram quatro dias de encontros, leituras e descobertas. Ao todo, 25 mil pessoas participaram da programação, que reuniu 83 autores nacionais, internacionais e regionais e promoveu 84 livros em mesas, lançamentos e debates. Mas, desta vez, havia algo que saltava aos olhos para além dos números.
A força da comunidade estava ali. Como nunca.
Ela aparecia nas sessões da manhã, quando os auditórios se enchiam de estudantes e professores. Nos corredores movimentados do Centro Cultural Uniaraxá, nas filas da livraria, nos encontros entre leitores e escritores e na presença constante de escolas que fizeram do festival também um espaço de aprendizagem e convivência.
O movimento tampouco se resumiu às grandes mesas. Desde os primeiros dias, Araxá parecia viver um daqueles momentos em que a cidade reconhece o festival como parte de si.
O Prêmio de Redação e Desenho, orientado pelo tema Meu Lugar no Mundo, talvez tenha sintetizado esse espírito. Com a adesão da grande maioria das escolas e a inclusão da Educação de Jovens e Adultos (EJA), o prêmio mobilizou professores, famílias e estudantes.
Para o curador Sérgio Abranches, essa presença coletiva ajudou a definir a identidade da edição.
“O Fliaraxá encerra com algumas marcas importantes: a expressiva participação de autores locais, a parceria com a Academia Araxaense de Letras, e a adesão de 90% das escolas ao concurso de redação. A marca que distinguiu este 14º Fliaraxá foi a forte participação de professores e alunos na programação que lotou o auditório nas sessões matinais e das tardes. Essa participação da comunidade faz toda a diferença para nós”, afirmou.
A programação percorreu muitos territórios. Passou por literatura, música, memória, política, infâncias e pensamento contemporâneo, reunindo vozes distintas sob o tema inspirado no pensamento de Milton Santos. Ao longo dos dias, o público transitou entre conversas sobre identidade, pertencimento, desigualdade, imaginação e afeto — marcas de uma edição que escolheu olhar para o mundo a partir dos lugares que habitamos.
Mesmo quando o domingo chegou em tom mais sereno, havia ainda gente circulando entre as últimas mesas regionais, trocando livros e prolongando encontros. O encerramento ficou por conta da Academia Jovem Concertante, que reuniu 66 pessoas e ofereceu ao festival uma despedida delicada, quase como quem fecha um livro sem pressa de abandonar a história.
O Fliaraxá também deixou marcas para além dos palcos. Nos últimos 90 dias, o Instagram oficial compartilhou 264 conteúdos, alcançando 245 mil contas e registrando 43,8 mil interações. No YouTube, 42 transmissões ao vivo das mesas somaram 11 mil visualizações durante os quatro dias do festival. Ao mesmo tempo, a equipe de jornalistas produziu 60 matérias acompanhando ideias, debates e personagens que passaram pelo evento.
Por trás de tudo isso, havia também uma cidade trabalhando. A edição mobilizou profissionais de comunicação, curadoria, fotografia, produção, segurança, limpeza, apoio operacional e livraria — uma rede de pessoas que ajudou a colocar o festival de pé e manter viva sua engrenagem.
Mesmo chegando ao fim, permanece a sensação de que esta edição deixou uma marca própria. O 14º Fliaraxá teve grandes autores, mesas concorridas e intensa circulação de ideias. Mas talvez sua lembrança mais forte esteja justamente naquilo que não cabe em programação: a presença de uma comunidade que não apenas assistiu ao festival, mas fez parte dele.
O Fliaraxá
Realizado pela Associação Cultural Sempre um Papo com patrocínio da CBMM, via Lei Rouanet e apoio da Academia Araxaense de Letras e TV Integração, o 14º. Fliaraxá – Festival Literário Internacional de Araxá – celebra os 100 anos de nascimento de Milton Santos, patrono desta edição e homenageia 3 personalidades: José Eduardo Agualusa, que vem de África, a professora Maria de Lourdes Bittencourt de Vasconcellos e o Mestre General de Congado Jerônimo Pereira de Lima, ambos personalidades da história de Araxá. O tema do evento é “Meu Lugar do Mundo” e assinam a curadoria, Sérgio Abranches, Afonso Borges, Rafael Nolli e Carlos Vinícius.
Serviço
14.º Festival Literário Internacional de Araxá – Fliaraxá
De 14 a 17 de maio de 2026, quinta a domingo
Local: Teatro CBMM do Centro Cultural Uniaraxá (Av. Ministro Olavo Drummond, 15 – São Geraldo)
Acompanhe programação digital no YouTube, Instagram e Facebook – @fliaraxa
Entrada gratuita
Informações para a imprensa: imprensa@sempreumpapo.com.br