Itamar Vieira Junior, Jeferson Tenório e Tom Farias debatem os legados da escravidão no país, no 10.° Fliaraxá
Afonso Borges, Itamar Vieira Junior, Tom Farias e Jeferson Tenório falam sobre "Abolição, Independência e Literatura" (Foto: Drigo Diniz)

Itamar Vieira Junior, Jeferson Tenório e Tom Farias debatem os legados da escravidão no país, no 10.° Fliaraxá

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Por Laura Rossetti

Abolição, Independência e Literatura. Esse foi o tema escolhido para a 10ª edição do Festival Literário de Araxá – Fliaraxá – e também o mote da conversa que ocorreu ontem, 13 de maio, entre os escritores Itamar Vieira Junior, Jeferson Tenório e Tom Farias. Diretamente de Araxá, estes importantes nomes da literatura brasileira contemporânea debateram, no Dia da Abolição da Escravatura, os legados da escravidão, além dos principais desafios do Brasil atualmente. O bate-papo, mediado pelo jornalista Afonso Borges, idealizador do Fliaraxá, foi transmitido ao vivo, às 21 horas e está disponível no canal do YouTube do Festival.

Em 2022, o Brasil completa 200 anos de Independência, proclamada pelo imperador D. Pedro I. Segundo Tom Farias, é necessário aproveitar este marco para refletir os desdobramentos da emancipação do país e problematizar até que ponto ele é realmente independente. “É independência mesmo esse grito dado por um homem estrangeiro? Quais são as consequências 200 anos depois disso?”, indaga o autor da biografia de Carolina Maria de Jesus e também curador do festival este ano.

O mesmo se pode dizer sobre a Abolição da Escravatura, com a Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel em 1888. “Hoje é dia 13 de maio e, embora tenhamos nos últimos anos ressignificado essa data, não a víamos com bons olhos, porque ela propaga uma coisa que, de fato, nunca aconteceu no nosso país”, afirma Itamar Vieira Junior, destacando que, com frequência, aparecem nos noticiários histórias de pessoas escravizadas.

Jeferson Tenório lembrou no debate que o geógrafo, escritor e jornalista baiano Milton Santos defendia que o Brasil não possui uma democracia, mas sim um ensaio democrático. “Eu penso que a gente não tem nem um ensaio; acho que a gente tem um rascunho de uma democracia. Acho que é impensável a gente naturalizar uma democracia que é sustentada pelo racismo”, defende Tenório.

Diante dos problemas levantados ao longo do bate-papo – como a violência, a desumanização e o preconceito –, Itamar ressaltou a importância da literatura para melhorar a realidade. “Antes de mais nada, sou leitor e penso em como a literatura me transformou também como ser humano, como pessoa e como abriu meus olhos para diversas questões que acho relevantes para o nosso tempo e para a nossa vida”, afirma Itamar, que se considera otimista em relação ao enfrentamento dos desafios apontados. “Em nenhum momento da história desse país, a questão do racismo estrutural foi tratada de uma maneira tão contundente como vem sendo tratada nos dias de hoje”, diz.

Mais sobre os autores

Itamar Vieira Junior, Tom Farias e Jeferson Tenório são escritores que se assemelham por abordar em suas obras problemas latentes na sociedade brasileira, como a desigualdade e o preconceito. Itamar nasceu em Salvador, em 1979, e passou a ocupar um lugar de destaque na literatura com seu romance Torto arado (2019, Editora Todavia), vencedor dos prêmios Leya, Oceanos e Jabuti e o livro mais vendido da Amazon em 2021. Sua mais recente obra é Doramar ou a odisseia: histórias (2021, Editora Todavia). Além de escritor, Itamar é geógrafo e doutor em Estudos Étnicos e Africanos pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

O jornalista, escritor e crítico literário Tom Farias é autor de romances, ensaios, artigos, roteiros e de uma série de livros sobre personalidades negras brasileiras. Por exemplo, sobre José do Patrocínio, importante figura do movimento abolicionista (José do Patrocínio, a pena da abolição, de 2019); e sobre o poeta Cruz e Sousa, considerado um dos fundadores do simbolismo (Cruz e Sousa: Dante negro do Brasil, de 2008).

Jeferson Tenório é autor de O avesso da pele, que venceu o Prêmio Jabuti 2021 na categoria Romance Literário. Ele estreou na literatura em 2013 com o romance O beijo na parede, eleito o livro do ano pela Associação Gaúcha de Escritores. Em 2018, lançou seu segundo romance, Estela sem Deus. Além disso, tem textos adaptados para o teatro e contos traduzidos para o inglês e para o espanhol. O autor é graduado em Letras e mestre em Literaturas Luso-Africanas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O Fliaraxá

O Festival Literário de Araxá, criado pelo jornalista, escritor e empreendedor cultural Afonso Borges, teve sua primeira edição em 2012. Ao longo dos anos, já passou pelo festival um público superior a 140 mil pessoas. A 10ª edição está acontecendo entre os dias 11 e 15 de maio, em formato phygital – on-line e presencial – em diversos locais de Araxá.

O Ministério do Turismo e a CBMM apresentam em caráter de exclusividade o 10.º Fliaraxá, com o patrocínio da Cemig e do Itaú e apoio da Rede Mater Dei de Saúde, Grupo Zema, Prefeitura Municipal de Araxá, Fundação Cultural Calmon Barreto, Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Turismo e Inovação Tecnológica, Central Única das Favelas – Cufa – de Araxá, com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura, da Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo.

Serviço:

10.º Festival Literário de Araxá – Fliaraxá

De 11 a 15 de maio, de quarta-feira a domingo

Tema: “Abolição, Independência e Literatura”

Formato phygital – transmissão em tempo real pelas plataformas do Festival: Youtube e Facebook – @fliaraxa

Locais: Grande Hotel, Teatro Municipal Maximiliano Rocha, Parque do Cristo e Fundação Cultural Calmon Barreto.

Informações: @fliaraxa – www.fliaraxa.com.br

Informações para a Imprensa:

Jozane Faleiro – jozane@sempreumpapo.com.br – 31 9 9204-6367