A língua portuguesa em Guiné-Bissau

A língua portuguesa em Guiné-Bissau

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O convidado da Guiné-Bissau presente na programação do IX Fliaraxá é Abdulai Silá. Ele participa, ao lado de Elisa Lucinda e Olinda Beja, da mesa “Literatura, identidade e pertencimento”. Por isso, chegou a vez de apresentarmos um pouco mais como é a língua portuguesa falada no país bem como sobre as línguas nativas.

Entretanto, para falar sobre isso, é importante entender o processo de colonização do país. Até 1446, quando os europeus começaram a chegar no país, a Guiné-Bissau fazia parte do Reino de Gabu e do Império do Mali, um império pré-colonial africano tido como um dos mais poderosos da história da humanidade e da Idade Média. Além disso, é considerado um dos mais ricos da história africana.

Só para exemplificar o tamanho, ele abrangia o que atualmente são os países Burkina Faso, Gâmbia, Guiné, Guiné-Bissau, Mali e Senegal. A língua oficial desse império era a Mandinga. Ela faz parte da família das línguas nigero-congolesas, uma das maiores famílias africanas tanto pela área geográfica como pelo número de falantes. 

O português e o crioulo da Guiné-Bissau

Assim como nos outros países, a colonização portuguesa difundiu amplamente o seu idioma. Na Guiné-Bissau, no entanto, mesmo o português sendo língua oficial, apenas cerca de 15% das pessoas falam o idioma, mesmo ele tendo passado por transformações e incorporado elementos das línguas nativas e dos impérios anteriores. Atualmente, a maioria da população fala o kriol, ou crioulo de Guiné-Bissau como também é chamado.

Trata-se de uma língua com base no português, que, junto com o crioulo de Cabo Verde, compõe o grupo Crioulo da Alta-Guiné ( formado por Cabo Verde, Casamansa, Senegal e Gâmbia). Como não poderia deixar de ser, existem dialetos dentro do kriol e eles foram influenciados por outros povos originários dos arredores da Guiné-Bissau e do restante da África. Todo esse contato entre línguas influenciou o português utilizado do país e, claro, as próprias línguas nativas. 

Em resumo, o português é parecido com o de Portugal, mas ainda pouco difundido no país. Alguns estudiosos explicam que isso ocorre pelo fato de o país estar entre nações francófonas, como o Senegal e a Guiné. Inclusive, o idioma já é ensinado nas escolas e a principal língua estrangeira no país. 

Dicas

Neste artigo você pode entender um pouco mais sobre a relação entre a língua portuguesa e a colonização em Guiné-Bissau. 

Aqui você lê a entrevista do Secretário da Cultura da Guiné-Bissau, António Spencer Embaló, defendendo o crioulo guineense como língua oficial. 

Por último, um jogo divertido mostrando as diferenças entre o crioulo de Cabo Verde e Guiné-Bissau

Acesse aqui a programação completa.

SOBRE O FLIARAXÁ

O Fliaraxá foi criado em 2012 pelo empreendedor cultural e diretor-presidente da Associação Cultural Sempre um Papo, Afonso Borges. As cinco primeiras edições aconteceram no pátio da Fundação Calmon Barreto, e, a partir de 2017, o festival passou a ocupar o Tauá Grande Hotel de Araxá, patrimônio histórico do Estado de Minas Gerais, edificação construída em 1942. Naquela edição, nasceu também o “Fliaraxá Gastronomia”. Cerca de 140 mil pessoas passaram pelo festival. Mais de 400 autores participaram da programação.

IX FLIARAXÁ  FESTIVAL LITERÁRIO DE ARAXÁ  28 DE OUTUBRO A 1º DE NOVEMBRO DE 2020

Transmissão virtual 24 horas pelo site e YouTube

 www.youtube.com/fliaraxá 

Informações: www.fliaraxa.com.br

Texto por Jaiane Souza/Culturadoria