Tomar o amor como norte e reconstruir o diálogo. Foi esse o convite que os escritores Jamil Chade e Juliana Monteiro fizeram ao público na mesa de bate-papo “Cartas do estrangeiro”, ocorrida na tarde desta sexta-feira, no 11.º Fliaraxá. A conversa girou em torno do livro “Ao Brasil, com amor” (Autêntica Editora, 2022), que reúne correspondências trocadas entre os dois autores a respeito dos principais desafios enfrentados pelo País e pelo mundo atualmente.

Jamil e Juliana começaram a trocar cartas em setembro de 2021, momento em que a vacinação contra a Covid-19 se iniciava na Europa. Ela, jornalista e colunista da Revista Pessoa, escrevia de Roma, na Itália. Ele, jornalista especializado em cobertura internacional, registrava a partir da vista que tinha de dentro do seu escritório na sede da Organização das Nações Unidas, em Genebra, na Suíça. Juntos, manifestaram suas impressões sobre problemas mundiais e nacionais – como guerra, fome, desigualdade, preconceitos –, bem como suas preocupações e esperanças diante de um mundo em transição.

Para Jamil, a experiência da pandemia tornou evidente a necessidade da união entre os povos, independentemente de suas diferenças. “A vacinação contra a Covid-19 nos deu uma lição poderosa: eu preciso vacinar o meu opositor para que eu sobreviva”, disse. O jornalista defende que é hora de as pessoas recuperarem a capacidade de lidar com opiniões diferentes: “As cartas do livro são convites ao diálogo”. Juliana concorda: “Talvez o nosso exercício seja o de ‘olhar no espelho’ para nos entender também dentro de bolhas, e então sair e olhar para o outro”.

Ela defende que é essencial que as sociedades organizem suas relações nacionais e internacionais, estruturas sociais, políticas e econômicas a partir do amor, um conceito pouco compreendido e muito desprezado. “Tenho notado que o ódio é muito mais respeitado que o amor. Quando a gente fala do ódio, todo mundo escuta, porque se entende que a gente está falando de coisa séria. O amor é tratado como algo tolo, como coisa de gente ingênua. Sempre que a gente fala de amor, ele precisa ser explicado. O ódio não; mas o amor precisa sempre de uma justificativa”, afirmou a autora.

Durante a conversa, ela ainda leu o trecho de uma crônica que escreveu recentemente: “Como diz o Jamil, é preciso colocar o amor no centro do debate, como norteador das políticas públicas às relações internacionais. É ele que deve estar no centro da nossa ideia de justiça. O amor deve ser a moeda corrente entre nós”.

Sobre o 11.º Fliaraxá

Norteado pelo tema “Educação, Literatura e Patrimônio”, o 11.º Festival Literário de Araxá (Fliaraxá) acontece até esse domingo, 9 de julho, em formato figital – ou seja, de forma presencial, no Estádio Municipal Fausto Alvim, localizado no centro da cidade mineira; e digital, pelas redes sociais do evento. A estrutura inclui uma enorme livraria, três auditórios para debates e apresentações artísticas, espaço para crianças, área de gastronomia e palco para atrações musicais. Nesta edição, as Autoras Homenageadas são Eliana Alvez Cruz e Líria Porto, e o Patrono é Mário de Andrade, em celebração aos seus 130 anos de nascimento.

O Fliaraxá é apresentado pela CBMM, com patrocínio do Itaú e da Cemig, via Lei Federal de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, com apoio da TV Integração, Prefeitura Municipal de Araxá, Fundação Calmon Barreto, Câmara Municipal de Araxá, Academia Araxaense de Letras, Condor Eventos, Vale Sul/Goethe-Institut, Instituto Terra e Sesc.